DANCA - FALAMOS COM O PROFESSOR E PESQUISADOR ' DA PIEDADE CRISTOVÃO NETO'
Falamos com o Dançarino Da Piedade Cristóvão Neto. Que é professor de Língua portuguêsa / pesquisador de dança tradicional angolana / Bailarino e Coreógrafo de Dança folclórica Angolana
De nome Artístico o Único B. Que durante muito tempo tem vindo a ser solicitado para falar e passar as suas experiências e pesquisas sobre a dança.
Como surge o romance ou a ligação com a dança ?
A quanto tempo tem a dança como profissão ?
Único B
Começo a levar a dança como profissão entre 8 ou 9 anos atrás... Quando senti a necessidade de aprimorar de forma prática e teórica aquilo que faço.
Qual o olhar que tem sobre o actual contexto artístico-cultural dos executantes desta arte em particular?
Neste momento qual sua maior conquista no universo artístico?
Sendo formado em pedagogia. Que diferença encontra entre a pedagogia que usa na dança, como arte, em relação a que usa em uma "sala" de aulas?
Único B
Sendo a pedagogia a arte de ensinar, instruir, formar e moldar o ser, não encontro grandes diferenças, apenas diverge na forma como se ensina, os métodos são um pouquinho diferentes, na dança é mais direta e rígida...
E existem certos termos que na sala de aula 'normal" não se usa, poderia ser considerado anti-pedagógico.
Muitos professores de dança, aprenderam de forma prática e não científica, formando assim seus próprios conceitos. Agora, sendo um pedagogo e ter aprendido a arte de ensinar, como tem transmitido o conhecimento da dança que fazes em seus bailarinos?
Único B
Ora vejamos!
Não aprendi a dança de forma científica, como tal, para aperfeiçoar mais e melhor o que faço, houve a necessidade de ser investigativo, procurar, ir atrás das fontes (que 90% orais) e fazer uma comparação de conceitos, daí ficar com aqueles conteúdos que melhor transmitiam segurança e credibilidade e é desta forma que passo o conhecimento aos meus bailarinos e não só...
Hoje nota-se, um certo e maior interesse, pelas danças folclóricas afrikanas, por parte dos jovens. Acredita que os mesmos começaram a perceber melhor o valor da sua afrikanidade? Porquê?
Único B
Sim, por bem ou mal hoje há um maior interesse nas danças folclóricas, penso que o número acresceu por causa do elevado número de grupos folclóricos.
Muitos não sabem o que fazem e consequentemente desapercebem-se da sua afrikanidade, mas a outros que começam já a despertar e vão ganhando consciência sobre a sua afrikanidade...
Qual a razão real que o levou a investir seu tempo a arte e em especial nas danças folclóricas?
Único B
Existem muitas razões, mas uma das principais é acreditar naquilo que faço, saber o que faço.
Tudo requer tempo e dedicação e a dança é muito ciumenta, ela priva àquelas que querem fazer dela o seu grande amor.
O que diz daqueles indivíduos, que em termos artísticos, se revê mais nas culturas Ocidental, Oriental ?
Único B
Na cultura africana existem certos rituais que não agradam muitos, ou seja, muitos não se revêem neles e acho normal que outros por meio do ouvi dizer, da convivência que revêem melhor na cultura estrangeira (fora de África), pós sabemos que existem hábitos tradicionais africanos que ferem a pessoa humana e ném todos têm a mesma sensibilidade cultural, por isso e outros motivos não deixo de considerar aquele que se revê mais na cultura estrangeira como "menos africano" as diferenças ideológicas quando respeitadas tornam o mundo mais brilhante, colorido e leve.
Já pensou em escrever algum artigo sobre a dança que faz?
Único B
Sim, já pensei. Dentro em breve pretendo já criar uma página que não só falará de dança. Pretendo que a mesma seja mais abrangente, a nível cultural.
Como vês a sociedade angolana em relação a educação artística? Será que já está a cima da média? Fundamente...
Único B
É com muita tristeza que digo que a sociedade angolana ainda não tem uma boa educação artística e receio que tão cedo não a terão.
A média não é baixa, é medíocre, principalmente para o filho órfão e desamparado da arte (a dança).
Porque grande parte da população vê a dança como um passa-tempo, algo que não agrega valor, sem futuro, talvez, sim talvez quando a dança ser parte obrigatória dos currículos académicos, bons ventos soprarão e respiraremos ares de alegria e realização
Mas para isso é preciso que os artistas se formem, que saibam àquilo que fazem, porquê fazem, como fazer e fazer bem, é precisar estudar e ter a humildade de dizer quando não sabe algo, respeitar e se fazer respeitar...
Por que é, na sua observação, que o estado Angolano, através dos sectores de tutela, não velam por mais e melhor dignidade á dança feita por angolanos como profissão?
Único B
O Estado pensa em como arrecadar receitas, a dança não dá dinheiro ao estado e como tal não a vêem como prioridade, outro factor é de se pôr pessoas certas no lugar certo, quando o Ministro da Cultura só lembra, ou melhor, o fazem lembrar da dança nos seus acessores nas efemérides alusivas a mesma, quando o ministro só fala sobre a cultura e a dança no carnaval, Fenacult, dia da cultura e em patrimónios mundial da UNESCO, não há e nem haverá uma empatia pela dança feita pelos angolanos.
Também né, coitados, ministério da cultura é um dos mais pobres e abandonados, um dos que leva a menor fatia do bolo já pouco recheado chamado O.G.E
Sendo que começam a surgir associações de dança no nosso país, o que espera das mesmas?
Único B
Espero que surjam mais associações (a concorrência nos faz trabalhar mais e melhor) e que nos tragam maior credibilidade e lutam por uma melhor dignidade da classe, espero que não usam os grupos de dança ou o artista para proveito próprio, que tudo que fazerem seja para o bem colectivo; espero que reine Concórdia e união dentro da adversidade de opiniões
"A classe precisa de homens com trugungo" (como diz o bom e velho amigo Adriano de Freitas).
O que tem feito com a sua arte para ajudar na mudança do quadro social no país?
Único B
No grupo que faço parte (NDIMBU-DANÇAS DE ANGOLA) temos o pensamento que um membro no grupo é um jovem a menos no mundo desviante, seguindo esta linha de pensamento tenho feito o esforço de socializar e sensibilizar a nível cultural os jovens e até mesmo os mais graúdos, que a cultura é uma forma de ser e sem cultura não existe povo, que podemos não aceitar a cultura de outrem, mas a devemos respeitar...
Gostaria que deixasse uma "dica" ou conselho, para todos os executantes que fazem parte desta classe artística.
Único B
O que dizer no meio de tanta adversidade...
Há muito para se dizer, mas serei curto, ou pelomenos tentarei ser! ( Risos)
Meus irmãos, companheiros de longas e duras, o pepino é grosso, mas acredito que seja possível descascar, o mundo da arte é duro, nós não somos mole não.
Acredito na força dos jovens, acredito que dias melhores virão, as vezes as necessidades extras imperam e fazem com que muitas vezes percamos a fé, mas a resiliência determinará o futuro, então, sejamos duros na queda, caíremos, levantaremos e seguiremos em frente.
SOMOS IMA IMOSHI
E JUNTOS CAMINHAREMOS PARA ALGUM LUGAR.
Obrigado ao Espaço do Artista pela oportunidade
Estou e estarei sempre disponível. Obrigado
Somos IMA IMOSHI
José da Piedade, queremos agradecer pela disponibilidade apresentada para esta entrevista. Esperamos que possa aceitar mais convites nossos. Muito sucesso desejamos.








Antes, agradecer a projectos no gereno, vêm trazer àquilo que nós artistas precisamos. Espaço. quanto a nobre entrevista. Parabéns... Ao editor pela criatividade e boa escrita. professor Único B, como sempre tenho dito o melhor lhe aguarde. grande rapaz !
ResponderExcluirAgradecemos Adriano de Freitas
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